TIVIT planeja gastar até R$ 1 bilhão em aquisições para verticalizar atuação

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A última compra da TIVIT foi em 2022, quando levou a provedora de nuvem chilena XMS. Desde então, a companhia brasileira conhecida por soluções de infraestrutura passou por mudanças profundas, culminando na sua venda para a Almaviva no ano passado. Quatorze meses depois, e com um novo posicionamento sob a tutela do grupo italiano, a empresa está pronta para comprar novamente, e quer gastar até R$ 1 bilhão neste plano.
A tese, porém, não é a de antes, conforme destaca Mitri Britto, diretor de estratégia, M&A e marketing da companhia. Em vez de comprar mais do mesmo, a TIVIT quer comprar software e hardware proprietários para montar unidades de negócio especializadas por indústria, e usar a estrutura do grupo para escalar o que comprar.
“Muitas vezes as empresas que a gente conversava eram empresas similares, de certa forma, ao portfólio que a TIVIT já tinha”, diz Mitri em conversa com o Startups. O que mudou foi o pedido do cliente. Segundo ele, ficou claro no último ano que as grandes empresas não querem apenas um parceiro generalista, que conhece cloud, SAP, dados, cyber e IA de forma ampla, mas alguém que entenda da especificidade da indústria.
Daí o plano de escalar uma estratégia verticalizada. São seis verticais: Governo, Setor Financeiro, Saúde, Utilities, Manufatura e uma sexta frente ainda sendo fechada.
Cada uma será conduzida como uma unidade de negócio própria, explica o executivo, com autonomia para conquistar clientes e integrá-los às ofertas gerais da integradora. “Existe uma coexistência de uma oferta horizontal e de uma oferta vertical”, diz Mitri. “A conversa não fica na camada de tecnologia, ela fica na camada de negócio.”
Para a nova estratégia de compras, a TIVIT mapeou mais de 600 empresas na região, filtrou para cerca de 308 pela maturidade do produto, abordou uma parte e conversou com 75 fundadores. Dessas conversas, 15 avançaram para a etapa em que o time técnico abre o produto e olha por dentro.
Essa etapa não é feita só no Brasil: as reuniões rodam com a equipe global da Almaviva, e o resultado surpreendeu os dois lados. “Tiveram aplicações de tecnologia, casos de uso de tecnologia no Brasil que a equipe da Itália, a nível global, eles não tinham visto ainda”, afirma Mitri.
Quanto às empresas na mira, a TIVIT é abrangente: o foco está em receita anual entre R$ 20 milhões e R$ 200 milhões, mas o próprio executivo reconhece que o intervalo guarda dois tipos de negócio.
Segundo Mitri, empresa maior chega com jornada comercial mais madura e produto já diversificado em módulos – é colocar dinheiro, abrir portas e sair vendendo. Empresa menor exige que a TIVIT ajude o fundador a atravessar etapas que ele ainda não venceu. Nos dois casos, Mitri afirma que o critério de entrada é o mesmo: o produto precisa resolver uma dor real daquela indústria.
Quanto ao alcance geográfico do investimento, o R$ 1 bilhão não será exclusivo para o Brasil. O alvo são seis países onde a TIVIt tem operação forte (Brasil, Chile, Colômbia, Peru, Argentina e México). O piloto do programa começou concentrado no Brasil como teste, e a abordagem aos demais mercados já está acelerando.
O desenho responde ao motivo pelo qual a companhia foi comprada. “O nosso posicionamento da aquisição é de fato utilizar a TIVIT como plataforma de aceleração do grupo Almaviva na América Latina”, diz Mitri, que toca o projeto com Marco Tripi, CEO global do grupo, em comitês de investimento conjuntos.
Apesar de o movimento ter cara de consolidação, Mitri faz questão de desmontar a leitura. “Esse projeto de M&A visa a consolidação? Não necessariamente, porque eu não estou comprando carteira por comprar carteira, não estou comprando base de clientes por comprar base de clientes, não estou comprando receita por receita”, afirma.
Pressionado sobre o fato de que uma aquisição de R$ 200 milhões traz uma carteira grande junto, ele não nega. “Sem dúvida. Comprar empresa sempre vai me ajudar a ter uma receita maior e naturalmente eu estou comprando market share no mercado de tecnologia.” Mas insiste na origem: o plano é de diversificação tecnológica, e o ganho de participação vem como consequência.
Há espaço para as duas coisas num mercado que ele descreve como pulverizado. “O maior provedor de tecnologia do Brasil hoje tem 5% de market share. É muito pouco isso”, afirma, apontando que a fragmentação destoa de mercados mais maduros.
Perguntado sobre como os M&As serão financiados, Mitri frisa que o dinheiro virá do caixa próprio, sem alocação de capital do grupo italiano e sem captação de dívida. No ano passado, a companhia registrou receita líquida de R$ 2,2 bilhões, alta de 12%, com cerca de 30% vindo de países hispânicos. A base soma mais de 800 clientes e a expectativa para este ano é manter o crescimento na casa dos dois dígitos, puxado por transformação digital e cibersegurança.
O que a TIVIT não abre é quanto disso deve voltar como receita. “Não existe meta interna fechada”, diz Mitri, que também não crava uma data para o primeiro negócio. “Temos pretensão de fazer deal em 2026, mas a gente não tem pressa para fazer”, afirma. “Eu acredito de verdade que o primeiro deal provavelmente vai acontecer agora em 2027. O nosso objetivo é menos quantidade, mais assertividade”, fecha o executivo.
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