Magie: de banco no WhatsApp a 10 milhões de clientes B2B em 2026

Durante dois anos, a Magie despontou no mercado como uma alternativa inovadora, oferecendo um banco completo dentro do WhatsApp e competindo com instituições tradicionais. Contudo, em 2026 a fintech virou a chave para o B2B, levando a própria tecnologia para players que antes eram possíveis concorrentes. A estratégia deu resultado mais rápido do que a operação direta ao consumidor tinha dado até então.

Em conversa com o Startups, o fundador e CEO Luiz Ramalho revelou que, entre clientes já assinados e os que devem ser adicionados até o fim do ano, a Magie deve fechar 2026 com uma base de 10 milhões a 15 milhões de clientes, batendo os 1000% em crescimento.

No último mês, com o onboarding em escala de um grande banco latino-americano, a fintech já ultrapassou a marca de 1 milhão. É um salto e tanto na comparação com o fim de 2025, quando a carteira anotava 400 mil usuários.

Segundo Ramalho, a alta demanda reflete um movimento de mercado que ele não esperava que fosse tão rápido. Na visão do executivo, ao contrário de outras ondas tecnológicas que mudaram o setor bancário, a da IA foi rapidamente percebida pelos bancos. “Me impressiona que os bancos rapidamente perceberam que era necessário ter também”, afirma.

Desde que anunciou a entrada no B2B no começo do ano, a fintech já encaminhou projetos white label com três bancos, de dentro e fora do Brasil, todos com milhões de correntistas. “São poucos contratos, mas de alto volume. Começamos com um piloto de alguns milhares ou centenas de milhares de usuários e depois vai à escala”, explica.

O caso público é o do BV, que oferece Pix via WhatsApp com IA. Fora dele, a fintech trabalha com outros bancos brasileiros ainda não anunciados e entrou também em crédito consignado, tanto na jornada de um grande varejista quanto sob marca própria, com o Magie Consignado Privado, em um arranjo com dois parceiros: um que entra com o FIDC e outro que traz a base de clientes.

De acordo com Ramalho, a expansão internacional foi o efeito colateral que surpreendeu. A empresa já conversava com bancos fora do Brasil, fez uma prova de conceito e entrou em escala com um grande banco peruano, cujo nome deve ser divulgado nas próximas semanas. Só nesse contrato, sem atingir toda a base da instituição, a Magie já alcançou mais de um milhão de pessoas.

Com o primeiro case pronto para divulgar, está em andamento o plano de atender novos mercados latino-americanos. Segundo o CEO, a Magie já abriu conversas com instituições financeiras na Argentina, Colômbia, Equador e México, e a demanda aparece até para partes mais simples do produto, como onboarding e jornadas de consulta, que os bancos brasileiros não pedem.

“O Brasil consegue exportar tecnologia nessa área financeira, onde já é visto como inovador. De certa maneira, é mais fácil ter algumas conversas com bancos fora do Brasil do que no próprio Brasil”, afirma.

Apesar de a base do B2C não ser tão volumosa quanto a aberta pelo B2B, o produto de pessoa física da Magie continua de pé, mas, de acordo com o CEO, mudou de função. “Ele não é mais de onde sai a receita. Agora ele tem outro papel na estratégia”, revela.

Conforme explica Ramalho, o Magie B2C segue com app próprio e a plataforma via WhatsApp, mas servirá principalmente como laboratório para inovar e trazer novas funcionalidades, que podem ser futuramente adicionadas à oferta B2B. “É onde temos mais liberdade para experimentar, o que não acontece quando está trabalhando com um cliente, onde precisa adotar o tom de voz dele, a marca dele, e tem restrições do que pode falar.”

Foi assim com o consignado, testado dentro da marca própria antes de virar produto oferecido a outros clientes. É assim hoje com a agregação de contas via Open Finance dentro do WhatsApp, que, segundo o executivo, nenhum banco fez ainda. “Alguns bancos já estão interessados neste produto”, completa.

, em rodada liderada pela Lux Capital, que já havia investido em 2024 e tem a empresa como única investida na América Latina. Somando as rodadas anteriores, são mais de US$ 10 milhões levantados, com a Canary também na cap table. Por enquanto, a fintech conta apenas com esses dois investidores.

Por falar em “por enquanto”, Ramalho frisa que a Magie não tem pressa por dinheiro novo. “Ainda temos caixa e acho que, com o crescimento da receita, devemos atingir o breakeven até o fim do ano. Acho que dá para abrir operações em uns dois países sem precisar de uma nova captação”, avalia.

Contudo, o executivo não descarta uma nova busca por investidores no ano que vem, caso a estratégia de expansão geográfica seja intensificada ou se a empresa resolver ampliar seu leque de produtos. “Aí faz sentido o capital, mas menos porque a gente precisa, e mais para acelerar um movimento”, finaliza.

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