Ibovespa supera os 200 mil pontos e BTG já enxerga alta de 45% na Bolsa com vitória de Flávio Bolsonaro – NeoFeed

A possibilidade real de vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno presidencial, no dia 25 de outubro, contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode representar uma forte valorização dos ativos brasileiros e fazer com as que as ações na B3 registrem uma valorização de 45%. A avaliação é do banco BTG Pactual.

Segundo os analistas, empresas que atuam no varejo, incorporadoras, companhias mais alavancadas e empresas do mercado de capitais estão entre os segmentos que podem superar o desempenho do Ibovespa.

Na linha da tese do banco, o Ibovespa iniciou em forte alta o pregão desta segunda-feira, 5 de outubro, horas após a divulgação do resultado do primeiro turno. Por volta das 11h41, as ações registravam valorização de 7,8%. O Ibovespa estava em 207.071, mas no pregão chegou a 209.605.

No relatório, o BTG afirma que as ações brasileiras negociam atualmente a cerca de 10 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, excluindo Petrobras e Vale. Caso Bolsonaro vença o segundo turno, o banco avalia que o mercado poderia rapidamente voltar a negociar próximo de sua média histórica de 11,9 vezes.

Nesse cenário, a valorização potencial das ações brasileiras chegaria a 20%. Em uma hipótese ainda mais otimista, na qual o mercado avançasse para um desvio-padrão acima da média histórica, atingindo 14,5 vezes o lucro, a alta poderia ir de 32% a 45%.

O raciocínio está diretamente ligado à avalanche de nomes da direita eleitos para o Senado – somente o PL elegeu mais 19 –, e um perfil ainda mais conservador para a maioria dos governos estaduais. Nesta tese, com um Congresso ainda mais à direita, o mercado poderia reduzir o prêmio de risco atribuído ao Brasil e reprecificar rapidamente as empresas brasileiras.

Com este novo ambiente, a aposta não fica apenas no Ibovespa. Os analistas identificam um conjunto de empresas que pode capturar ainda mais esse cenário de mudança macro no do mercado financeiro.

“Alguns de nossos nomes preferidos incluem varejistas de vestuário Renner e C&A, rede Assaí, construtora Cyrela, nomes de mercado de capitais B3 e XP, locadora Localiza, concessionária de pedágio Motiva, rede hospitalar Rede D’Or, concessionárias de serviços públicos Equatorial, Energisa, Auren e Sabesp, e operadora de shopping Allos”, diz o relatório, assinado pelos analistas Carlos Sequeira, Osni Carfi e Bruno Ferreira.

O ponto em comum entre boa parte dessas companhias, segundo o banco, é a sensibilidade ao ambiente doméstico. Varejistas e construtoras podem se beneficiar de uma melhora das condições de crédito e da confiança do consumidor. Empresas de infraestrutura e de serviços públicos podem ganhar com uma redução do prêmio de risco atribuído aos ativos brasileiros.

O BTG também entende que, com a vitória de Flávio, as empresas alavancadas devem melhorar seus desempenhos no mercado de capitais. Entre as que integram a cobertura do banco, estão HBR Realty, Auren Energia, Helbor, Equatorial, EcoRodovias e MBRF.

Os analistas também enxergam um outro grupo, que são as empresas de maior beta, indicador que mede a volatilidade e a sensibilidade da ação com relação ao mercado, de uma forma geral.

Nesse grupo, o BTG inclui a Motiva (que já estava presente na análise geral), Vamos, Cosan, Dexco e Bradesco. Se o Ibovespa seguir nesta espiral de valorização após uma eventual vitória de Bolsonaro, essas companhias podem capturar uma parcela desproporcional desse movimento.

Na análise política, os analistas apontam Flávio Bolsonaro para vencer a corrida ao Palácio do Planalto em três semanas. O senador do PL venceu Lula por cerca de dois pontos percentuais, o equivalente a 2,2 milhões de votos, surpreendendo, segundo o BTG, os principais institutos de pesquisa.

A tendência, agora, é de migração dos votos, ainda que pequenos, que foram para os demais candidatos, Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Augusto Cury e Renan Santos.

“Dado que a maioria dos demais candidatos é de direita ou centro-direita, seria natural esperar que a maioria dos votos deles (9,3 milhões de votos ou 7,8% do total) vá para o Sr. Bolsonaro”, diz o relatório.

A esperança do presidente Lula, segundo o banco, é em um possível convencimento de comparecimento ao grande número de eleitores que se abstiveram de ir às urnas. Foram 33 milhões de pessoas que não votaram, o que soma uma abstenção de 20,9%.

Para os analistas, uma tarefa quase impossível. “É improvável, especialmente considerando que 20 dos 27 estados tiveram suas eleições decididas no 1º turno”, completa o relatório.

Leia a matéria original em neofeed.com.br →