Brasil lidera comércio agêntico no Ocidente, aponta Global Payments – Startups

O Brasil é o país ocidental com maior adesão ao comércio agêntico, modelo em que um agente de inteligência artificial (IA) pesquisa, escolhe e compra produtos em nome do consumidor. É o que mostra o Agentic Commerce Report 2026, da Global Payments, divulgado hoje (14). Segundo o relatório, o Brasil fica atrás apenas da China e supera Estados Unidos, Reino Unido e França.
Para Juan Pablo D’Antiochia, gerente-geral de Enterprise da Global Payments para a América Latina, a discussão sobre o tema mudou de foco. “Estamos entrando em uma fase em que a conversa deixa de ser sobre o que a IA é capaz de fazer e passa a ser sobre o que os consumidores estão dispostos a delegar”, afirma, em comunicado.
No Brasil, a parcela de consumidores que já testaram ou estão dispostos a permitir que um agente de IA navegue e faça compras em seu nome subiu de 39% em 2025 para 72% em 2026. A pesquisa ouviu 8.027 consumidores nos Estados Unidos, Reino Unido, França, Brasil, China, Cingapura e Austrália, em maio deste ano.
Dos 72% de brasileiros que entram nesse indicador, 24% já testaram a experiência e 48% dizem que estariam dispostos a usá-la agora ou nos próximos 12 meses. O resultado coloca o país em segundo lugar entre os sete mercados, atrás da China (86%) e à frente de Cingapura (59%), Reino Unido (48%), França (46%), Estados Unidos (45%) e Austrália (40%).
Na comparação com a edição de 2025, o Brasil registrou o maior aumento entre os países pesquisados: 33 pontos percentuais no indicador comparável apresentado pelo estudo. A China vem na sequência, com alta de 22 pontos percentuais, seguida por França (21) e Reino Unido (18).
O relatório também mediu a confiança dos consumidores no próprio agente pessoal de IA, em uma escala de 1 a 5. Os brasileiros deram nota média de 3,80, a segunda maior entre os sete mercados, atrás da China (3,97). Em 2025, a média brasileira havia sido de 3,18. De acordo com o relatório, a maior disposição para usar agentes vem acompanhada de melhora na confiança.
Os limites para a delegação de decisões financeiras, porém, seguem claros. A segurança dos dados de pagamento é a principal preocupação, citada por 50% dos entrevistados. Em seguida aparecem privacidade e uso de dados pessoais (45%) e o receio de que a IA faça a escolha errada (41%). Outros 36% apontam a dificuldade de saber quem será responsável se algo der errado.
“As pessoas buscam conveniência, mas também querem manter o controle, especialmente na hora de pagar”, diz Juan Pablo. Segundo ele, o desafio para as empresas será criar experiências em que “uma maior autonomia venha acompanhada de mecanismos claros de autorização, segurança e confiança”.
Nos sete mercados pesquisados, os consumidores estimam que, nos próximos cinco anos, 17% de suas compras poderão ser feitas por meio de agentes de IA. O percentual fica próximo ao das compras presenciais, projetadas em 18%, e acima dos sites próprios das marcas (13%), da busca (12%) e dos marketplaces (12%).
De acordo com o relatório, a China lidera a adoção, com 86% dos consumidores que já testaram ou estão dispostos a usar agentes para fazer compras. O estudo aponta que a automação ganha impulso quando entrega conveniência e valor, e que a confiança continua sendo o principal desafio para que a decisão final de compra seja entregue a um agente.
Para o executivo, a conveniência pode acelerar a adoção do comércio agêntico, mas “segurança, transparência e controle serão decisivos para que a tecnologia avance para compras de maior valor”.
O levantamento foi conduzido pela The Lantern e é a segunda edição da Pesquisa Internacional de IA Agêntica. Os participantes receberam a descrição de um agente de IA capaz de pesquisar, selecionar e comprar produtos em seu nome.
O estudo avaliou a disposição de uso de pagamentos agênticos em diferentes cenários, os limites de gastos e os fatores que influenciam a confiança e a adoção. A primeira edição entrevistou 8 mil consumidores nos mesmos sete mercados, entre agosto e setembro de 2025.