Salvy integra IA para gestão de telefonia e automatiza tarefas com Claude e ChatGPT

Todo agente de vendas no WhatsApp começa com um número de telefone de verdade, que alguém precisa contratar, ativar e multiplicar conforme o bot cresce. Quando esse número toca, surge uma pergunta pouco glamourosa: se o cliente resolve ligar em vez de digitar, quem atende?

É nessa pergunta que a Salvy, operadora de telefonia móvel B2B, está se destacamdp. “Hoje você pega a maioria das startups que estão começando, ou as grandes também que estão construindo uma interface hoje, estão vindo para a Salvy para usar número, para usar infraestrutura, para usar ligação”, diz Lucas Rosa, cofundador e CPO da Salvy, ao Startups. “A gente está virando o provedor de infraestrutura para quem está construindo (com agentes).”

Em linha com essa estratégia, agora a Salvy dá o passo do outro lado do balcão. Ela aposta na integração com MCP — o protocolo criado pela Anthropic para conectar modelos de IA a sistemas externos — e lança também uma API nova. Na prática, o gestor de telefonia da empresa cliente passa a consultar consumo, bloquear linhas, trocar planos e fazer mudanças em massa de dentro do Claude ou do ChatGPT, sem abrir a plataforma da operadora.

“Por muito tempo, digitalizar um serviço significou criar uma plataforma para o cliente acessar. A inteligência artificial começa a mudar essa lógica: a interface deixa de ser necessariamente o lugar onde as coisas acontecem”, afirma Artur Negrão, cofundador e CEO da Salvy.

“Quando a IA consegue entender o contexto dado pelo gestor de telecom nas empresas, acessar diferentes sistemas e agir dentro das regras definidas pela empresa, ele pode resolver uma necessidade sem que alguém precise descobrir onde entrar, qual tela abrir ou qual processo seguir. É uma mudança muito maior do que automatizar tarefas”, completa o CEO.

Segundo Lucas, trata-se de algo inédita no setor, que abre a possibilidade de integrar eventos dos sistemas da própria empresa a mudanças automáticas na telefonia. “Por exemplo, dá para pedir para o Claude que, toda vez que um funcionário for desligado, ele pode desligar a linha dele automaticamente. Essa automação permite isso”, diz Lucas. “Antes você precisava entrar lá, lembrar, ser avisado pelo RH.”

Para o CPO, conectar a plataforma de gestão com modelos externos traz mais transparência e vantagem para o usuário. Para ilustrar isso, ele dá um exemplo em que a Salvy pode “sair perdendo”. O cliente pode pedir à IA que analise a fatura da operadora e aponte onde está desperdiçando. “A IA sugere, pergunta se pode executar, e executa. Eu posso perder receita aqui, mas é meu diferencial. É o que vai fazer com que esse cara fique comigo”, dispara o executivo.

Por falar em diferencial, o novo recurso também chega como uma vantagem para clientes de maior porte, em que a complexidade aumenta conforme o volume de linhas cresce. Dados analisados pela Salvy mostram que companhias com mais de mil colaboradores realizam 177 vezes mais ações mensais de gestão de telecom que empresas pequenas, enquanto o número de ações por administrador cresce 14 vezes com a escala.

Alguns clientes já estão mexendo no MCP. A Beep Saúde, de saúde domiciliar, monta uma rotina recorrente para examinar a saúde da telefonia e derrubar linhas ociosas. E a fintech Conta Simples escreveu um prompt que monitora o consumo das linhas dos executivos e ajusta a franquia sem precisar de ninguém. Outro cliente que está experimentando a integração é a Decade, fintech fundada este ano pelo ex-CTO do Nubank.

Agora, com o lançamento oficial da funcionalidade, o plano é escalar gradualmente junto à base de mais de 10 mil empresas que a Salvy já possui, mantendo o ritmo de triplicar de tamanho a cada ano, conforme destaca Lucas.

Essa base de clientes tem um núcleo forte, e ele é a razão de a Salvy chegar nesse lançamento com público pronto. A operadora nasceu vendendo para startup e, para esses clientes, a integração via MCP hoje é uma feature obrigatória. “Hoje, quando um CTO procura uma ferramenta, se ele ver que ela não tem o MCP, ele já dá um passo atrás”, afirma Lucas.

O trabalho mais lento está do outro lado da base, nas companhias tradicionais que a operadora passou a alcançar, ele cita Méliuz e Suzano como exemplos. Ali, segundo Lucas, a venda vem acompanhada de alfabetização: mostrar, a um gestor que nunca automatizou nada, que esse universo existe e que ele pode entrar. “Eu tenho que ajudar ele e mostrar: olha esse universo aqui que eu posso te ajudar”, finaliza.

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