Fundo GovTech da KPTL recebe primeiro investimento internacional da Potencia Ventures

A Potencia Ventures, fundo global de investimento de impacto, acaba de se tornar a mais nova cotista do Fundo GovTech, gerido pela KPTL. Com o anúncio, o veículo focado em startups voltadas ao setor público ganha o seu primeiro investidor internacional. O valor do aporte não foi divulgado.
Com a chegada da Potencia, o Fundo GovTech segue no plano de bater a marca de R$ 150 milhões em captação. A KPTL divulgou em julho que já tinha mais de dois terços do valor previsto, chegando a R$ 107 milhões. A expectativa da gestora é que o capital internacional alcance 25% do total.
“No início do fundo, abordamos alguns fundos estrangeiros, mas eles preferiram esperar para nossa tese e portfólio amadurecerem. Agora chegamos a esse momento, e a chegada da Potencia é o sinal para retomar a estratégia com investidores internacionais”, pontua Adriano Pitoli, head do Fundo GovTech na KPTL, em conversa com o Startups.
Até o momento, o fundo fez oito investimentos, selecionados de um universo de mais de 1,4 mil empresas mapeadas, e a meta é chegar a 16. Segundo Adriano, o plano é anunciar pelo menos dois novos aportes até o fim do ano, já em fase de diligência e negociação final de termos, com outras duas oportunidades um pouco atrás na fila.
A oitava investida foi a Kinebot, paranaense de tecnologia para saúde e segurança do trabalho, que entrou no portfólio no começo do ano. Antes dela vieram Jovens Gênios, de aprendizagem adaptativa, Colab, de governo digital, StartGI, de compras públicas, Prosas, Augen Engenharia e a baiana I4C, de riscos climáticos.
O balanço que ele apresenta é de execução. “As oito empresas estão em crescimento. Nenhuma delas está andando de lado”, diz. O portfólio cresceu 30% em faturamento em 2025 e a previsão é de 40% neste ano.
Na visão de Adriano, a entrada da nova cotista deixa a tese de impacto mais clara e estruturada. “Desde que abrimos para captação, sempre nos apresentamos como um fundo de venture capital puro-sangue, ainda que tivéssemos total convicção da nossa tese de impacto”, conta. O que não muda é a geografia. “A tese do fundo é investir 100% do capital em startups de govtech sediadas no Brasil”, completa.
A exportação acontece pelo portfólio: a Jovens Gênios já opera em Angola, a Kinebot avança por América Latina e Europa, a I4C se expande pela região e o CEO da Colab está em rodada de apresentações nos Estados Unidos.
O track record da Potencia no Brasil é extenso. Foi uma das primeiras investidoras da Vox Capital e também entrou na Crescera, no fundo que investiu na Alura. Entretanto, segundo destaca Itali Collini, liderança da Potencia Ventures no Brasil, a entrada no Fundo GovTech traz um recorte inédito.
“Foi a primeira vez que a gente investiu num fundo que olha para o setor público especificamente”, diz. Para ela, a decisão se justifica por um gargalo do próprio portfólio da casa, focado em educação e futuro do trabalho.
“Boa parte das nossas investidas, se quiser realmente fazer impacto para a base da pirâmide, precisa servir a escola pública. E uma das coisas mais difíceis de construir e testar no Brasil é esse caminho de escalabilidade para o setor público”, afirma.
O tamanho do mercado não é o problema, já que o orçamento público dos setores visados pelo fundo é volumoso. O problema, segundo Itali, é navegar em um mercado tão complexo. “Se fosse dez anos atrás, cinco anos atrás, talvez a gente não se atrevesse a investir numa empresa que nasce B2G, porque não sabíamos ainda como poderia ser essa navegação”, afirma.
É aí que entra a KPTL. Para ela, quem já lidera investimentos em empresas que vendem para o poder público acumula um repertório que não se improvisa. “Só dá para entender bem quem vive isso no setor”, diz.
O aprendizado já mudou a régua da própria Potencia. Três investidas da gestora — Árvore, Letrus e UPMAT — já vendem para escola pública, e foi acompanhando esse caminho que o fundo passou a considerar empresas que nascem exclusivamente B2G.
Por sua vez, a Potencia entra no fundo trazendo frameworks de mensuração de impacto, baseados em padrões internacionais como o PRI, além da condição de primeiro capital estrangeiro do veículo. “Podemos adicionar valor sendo exemplo de investidor estrangeiro e abrindo porta para outros.”